PODER E POLÍTICA EM "V DE VINGANÇA"



Por Lane Reis


V de Vingança é  um filme baseado na HQ de Alan Moore e David Lloyd,  cujo roteiro  foi escrito pelos irmãos Wachowski (criadores de Matrix), tendo como  personagens principais  V (Hugo Wearning) e Evey ( Natalie Portman).

A história se passa na Inglaterra do terceiro milênio que sofreu uma crise política de enormes proporções, espalhando  peste, fome e terror por todo o mundo, deixando a sociedade ocidental em um verdadeiro caos.  Embora tenha sofrido bastante com a crise e   ataques de um vírus  altamente violento  a, sociedade inglesa, aceita se submeter a um  governo ditatorial que  utilizando da opressão e do controle maciço sobre a população busca manter a ordem social. Assim, é  em meio a todo este caos político e social  que surge o revolucionário "V", o qual  ao lado de Evey  lidera uma oposição ao governo numa tentativa de resgatar os valores ingleses massacrados pela  ideologia  opressora imposta pelo Estado.

O filme nos fornece uma dimensão da realidade, numa época em que a Inglaterra atravessa um momento político e social bastante instável, muito parecido com a situação pela qual os Estados ditatoriais latinos atravessaram no século XX. Quando cidadãos de classe média para tentar proteger seus bens dos "comunistas"  permitiram que uma ditadura fosse instalada no país.

Este modo de pensar das classes médias e altas inglesas também pode nos lembrar  o Estado de natureza de Hobbes descrito em Leviatã. Nele, os homens viviam sob o instinto de auto-preservação de  sua vida e sem qualquer domínio  de uns sobre os outros, o que acabava causando  guerras e conflitos para garantir a sobrevivência. Por tal motivo, a sociedade entra em comum acordo e concede poderes a uma pessoa com autoridade indivisível, ilimitada, a quem todos deveriam se submeter: o governante. Portanto, as pessoas abdicaram de sua liberdade plena e de alguns direitos, exceto aqueles que o governante achasse útil e necessário a fim de assegurar o direito a propriedade privada. Mas, no Estado inglês  de V de Vingança  as coisas iam bem mais além do que   na sociedade hobbesiana. Ela alcançou um caráter repressor. Não havia nenhuma garantia dos direitos individuais, especialmente a liberdade individual, pois até mesmo os direitos políticos, sociais e econômicos foram confiscados. O resultado disso  foi o crescimento da criminalidade no , fazendo com a atuação do Poder Público  se reduzisse a uma função policial de controle sobre o comportamento  do indivíduo em sociedade.

Logo, V, passa a representar os sentimentos de mudança política , embora  as formas que faça para alcançar seus objetivos sejam  contraditórias. Já que promove o terror através de atentados a bomba em locais públicos e tem  o objetivo  de destruir o poder estatal e o parlamento, sem apresentar propostas  para a sua reconstrução. Para V o que importava era  apenas que o regime ditatorial  fosse destruído, o que nos  lembra bastante  idéias anarquistas  que pregam a destruição do Estado. Já o  Governo  justificava a centralização do poder nas mãos do ditador  que impunha leis e normas para restaurar um  mundo que se encontrava em completo estado de degradação moral e social. 

Para lutar cotra seus inimigos o Estado  inglês se utilizava da mídia e do controle da liberdade de expressão, de informação e imprensa. que era facilmente aceito pela população inglesa dado o caos social em que sua sociedade  se encontrava. Neste caso, podemos perceber muitas semelhanças entre o Estado ditatorial inglês do filme com outros regimes como o fascismo e o regime militar brasileiro que para existirem necessitava do apoio do grande capital. Além disso, sua formação estava  relacionada  a interesses econômicos capitalistas, em especial da indústria farmacêutica, o que mostra claramente que a ideologia governista na verdade assegurava os interesses capitalistas.

V de Vingança é uma obra que serve como alerta a soluções que apelam para o lado  manipulador da política, a fim de que esta não seja feita  de modo que os interesses sociais e coletivos corram perigo, especialmente na pós-modernidade, cujas relações sociais estão se complexificando cada vez mais....



4 comentários:

Eron G. M. disse...

Caso ainda não tenha feito, sugiro que leia a graphic novel que teve sua essência anarquista um tanto quanto suprimida no filme. Alem de ser menos menos "cheesy"!

Arlete Marques prof Arlete disse...

como adquirir os referidos filmes...

aninha disse...

"E as políticas neoliberais que se iniciaram desde o final do século XX, faz com que o capital aumente a sua influência e com isso as desigualdades sociais que somadas às crises cíclicas do sistema acabam dando margem a todo tipo de maniqueísmo político que oferecem facilidades a população, criando sistemas ditatoriais altamente opressores." O MAIS PERIGOSO DISSO TUDO HOJE É QUE A DITADURA MUITAS VEZES OCORRE DE FORMA MAQUIADA,E ENTÃO ACHAMOS QUE ESTAMOS EM UMA DEMOCRACIA E NA VERDADE ESTAMOS EM UMA DITADURA MAQUIADA.

Anônimo disse...

Dogmastismo é sinônimo de retrocesso da liberdade,enquanto houver o famoso unilateralismo partidário haverá repressão.Reflita sobre seus pensamentos,pois o mar de rosas pode ser uma ilusão,abraços

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