Diamante de Sangue e o capitalismo


Por Lane Reis


O filme Diamante de Sangue ( Blood Diamond, 2007), estrelado por Leonardo Di Caprio e assinado pelo diretor Edward Zwick ( de o Último Samurai). Trata  sobre as relações existentes entre o capitalismo dos países desenvolvidos que explora economicamente as riquezas naturais na África, criando uma situação de opressão, dominação e  terror ideológico. A história se passa em 1999 em Serra Leoa, um lugar cujos interesses econômicos externos ocidentais são culpados pela mobilização  de grupos políticos internos que  geram guerrilhas e lutas pelo poder entre as diversas etnias africanas. Nessa época grande parte dos países africanos eram governados por  ditadores que  travavam batalhas sangrentas  com os grupos guerrilheiros pelo poder, resultando em milhares de vítimas.O  filme recebe esse nome devido a história se passar numa região conhecida pela exploração de diamantes que durante os anos 90 financiou a guerra civil em Serra Leoa.

Os personagens principais do filme são: Danny Archer ( Leonardo Di Caprio), Solomom Vandi ( Djimon Hounsou) e também Maddy Bowen ( Jennifer Connely) que juntos fazem um filme com boas atuações e muita ação. O  personagem principal  é  o vilão-herói Daniel Archer ( Di Carprio) que representa a ambição dos guerrilheiros do governo africano e também das grandes corporações internacionais de diamantes.

O enredo da história tem com pano de fundo a Guerra Civil em Serra Leoa que se encontra envolvida numa disputa pelo poder local com as tropas do governo e a FRU ( Força Revolucionária Unida) que ocupa boa parte do território do país. Várias pessoas são vítimas ( inocente ou não) e muitas comunidades são exterminadas, cujas famílias  dizimadas, muitas vezes são separadas de seus parentes  e obrigados a trabalharem nas minas de diamantes.

Há também a  história de Solomom Vandy (Hounsou)  que no garimpo de diamantes  encontra um do "tipo grande" ( o rosa) e tenta escondê-lo.Mas sua vida acaba cruzando a de Archer, que vê no tal diamante a possibilidade de sair do continente e mudar sua vida. Para tanto, começa ajudar Solomom a reencontrar sua familia em troca do mesmo. Outra personagem importante é a  jornalista idealista Maddy Bwen interpretada por Conelly, (que representa o "lado social" do filme) elabora um dossiê que cai como uma "bomba" no Ocidente ao revelar a forma obscura como os diamantes são produzidos, bem como o trabalho nas minas s pelos guerrilheiros que aliciam crianças para servir de "soldados" à guerra de libertação do país. O final do filme é aquele típico final  de um "filmão hollywoodiano":


O motivo pelo qual me interessei em falar sobre o filme não diz respeito a atuação dos atores tampouco a  sua qualidade técnica, mas sim pelo desejo de dar um enfoque sociológico a alguns detalhes da história.  Marx e Engels (2002), trabalharam muito bem o conceito de ideologia na sociedade moderna, relacionando-a aos sistemas políticos, morais, sociais e culturais burgueses, Segundo os autores é a ideologia que  contribui para mascarar a realidade com o único objetivo de manter os ricos ( que no caso do filme são representados pelos países desenvolvidos a partir da exploração econômica das grandes corporações de diamantes) no controle da sociedade. 

O filme mostra  homens e crianças  vitimas de trabalhos forçados pelos guerrilheiros, o que lembra bastante a situação de exploração dos colonizadores europeus que, muitas vezes, através de estratégias políticas-ideológicas controlavam os sistemas de poder local, tal qual ocorreu durante o processo de descolonização. Em um certo momento vemos uma expressão pronunciada por um guerrilheiro que denota claramente toda a situação: " A FRU libertou vocês. Não filme há mais mestre e escravo aqui." Isto acontece pelo fato de que as organizações "revolucionárias" que no filme são os "negros" nativos tomaram para sim o discurso ideológico do colonizador, incutindo os valores dos brancos em prol dos seus objetivos, caindo num paradoxo. Já que ao mesmo tempo afirma que a liberdade chega aos seus "irmãos" eles obrigam os mesmos a trabalharem para seu usufruto, da mesma forma que os colonizadores faziam no passado.Outra observação importante que caracteriza o discurso ideológico ocidental ocorre por meio da relação entre culturas. O filme mostra  guerrilheiros se comportando como jovem típicos dos países ocidentais desenvolvidos,  mas  embora apresentem comportamentos subversivos contra os "senhores brancos"  escuta hip hop "da moda" que é uma produção musical negra, apropriada pela  cultura ocidental.

Outro fato importante observado é a participação das grandes corporações internacionais no financiamento da guerra que embora não a financie diretamente elas pagam para manter uma situação  cuja maior beneficiária é ela mesma, uma vez que os diamantes contrabandeados de Serra Leoa são comprados pelas multinacionais européia com o seu conhecimento.

Um  aspecto que merece ser mencionado   é a incapacidade do  povo africano em resolver seu próprios problemas. O filme reforça o esteriótipo do americano-herói e do africano carente que está sempre necessitando das "decisões" e ajuda dos ocidentais. Por exemplo, ajuda internacional, ajuda da repórter, ajuda do próprio Archer para com Solomom, além da apropriação de códigos morais padronizados pela cultura norte-americana como o suposto " final feliz" do filme em que o herói-vilão Archer toma uma atitude redentora ao salvar uma família negra e deixar seus interesses egoístas de lado.


Bibliografia








  • Karl Marx e Engels, Friedrich. A Ideologia Alemã. São Paulo: Hucitec, 2002.













  • 3 comentários:

    Anônimo disse...

    Gostei da análise sobre o filme. Outro video que reflete como os países ricos "se importam" com a Àfrica é: A verdadeira história sobre os piratas da Somália.
    Podemos julgar quem são os vedadeiros piratas daquelas águas.

    Anônimo disse...

    pode dizer me qual a solução para este problema?

    Lane Reis disse...

    Acha que se eu tivesse solução para problemas como esse estaria na internet escrevendo em blog?

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