50 GENIAIS FILMES POLÍTICOS E SOCIAIS - SEGUNDA PARTE

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tumblr_mrsy40z1FJ1sy8f25o1_500.jpgCena do filme A Outra História Americana

Considero estes 50 filmes grandes obras-primas geopolíticas e sociopolíticas, lógico que ainda faltará muitos filmes que deveriam estar aqui, algo normal que acontece em qualquer lista. Penso que o cinema é uma forma de arte muito dinâmica de aprendizagem e obtenção de conhecimento por isso acho importante que filmes como estes sejam mais divulgados, auxiliando a educação política e social de várias pessoas através do entretenimento. Desde o mês de junho de 2012, várias pessoas pelo Brasil despertaram para a educação política e social visando a mudança benéfica de nosso país e a importância de seu lugar na sociedade.
Nós brasileiros por mais cultos ou estáveis financeiramente que formos, ainda somos produtos do terceiro mundo ou mundo em desenvolvimento, e é por isso que a educação política é muito importante e a falta deste requisito na nossa sociedade pode trazer severas consequências para nossa nação, algo que já estamos vivendo à tempos.
Então, segue-se aí, mais 50 filmes políticos de todas épocas e países. Estes filmes são de vários gêneros cinematográficos. Apesar de alguns serem datados de 10, 20, 30, 40 anos ou mais, eles são geniais por causa de sua atemporalidade. Os filmes estão listados em ordem cronológica:
01- O Encouraçado Potemkin (Bronenosets Potyomkin), Direção: Sergei M. Eisenstein, País: Rússia, Ano: 1925.
Sinopse: Em 1905, na Rússia czarista, aconteceu um levante que pressagiou a Revolução de 1917. Tudo começou no navio de guerra Potemkin, quando os marinheiros estavam cansados de serem maltratados, sendo que até carne estragada lhes era dada, com o médico de bordo insistindo que ela era perfeitamente comestível. Alguns marinheiros se recusam a comer esta carne, então os oficiais do navio ordenam a execução deles. A tensão aumenta e, gradativamente, a situação sai cada vez mais do controle. Logo depois dos gatilhos serem apertados, Vakulinchuk (Aleksandr Antonov), um marinheiro, grita para os soldados e pede para eles pensarem e decidirem se estão com os oficiais ou com os marinheiros. Os soldados hesitam e então abaixam suas armas. Louco de ódio, um oficial tenta agarrar um dos rifles e provoca uma revolta no navio, na qual o marinheiro é morto. Mas isto seria apenas o início de uma grande tragédia.
02- M, o Vampiro de Dusseldorf, Direção: Fritz Lang, País: Alemanha, Ano: 1931.
Sinopse: Um misterioso infanticida leva o terror a Dusseldorf. A polícia local não consegue capturar o serial killer então um grupo de foras-da-lei se une para encontrar o assassino. Capturado pelos marginais, ele é julgado por um tribunal de criminosos e é acusado de ter quebrado a ética do submundo.
03- Fúria (Fury), Direção: Fritz Lang, País: EUA, Ano: 1936.
Sinopse: Um homem desconhecido é linchado por uma multidão nas ruas e dado como morto, como uma metáfora do movimento de massa ordenado pelo nazismo. Mas o homem sobrevive e engendra sua vingança sobre os que queriam matá-lo.
04- A Regra do Jogo (La Règle du Jeu), Direção: Jean Renoir, País: França, Ano: 1939. 
Sinopse: O aviador André Jurieux bateu recordes de vôo, mas só consegue pensar em sua amada Christine, mulher do aristocrata Robert de la Cheyniest. Jurieux consegue com um amigo um convite para a casa de campo em que o casal está dando uma grande festa de caça. Os sorrisos cordiais dos convidados escondem, porém, segredos e sentimentos, e o resultado disso é um assassinato.
05- O Anjo Embriagado (Yoidore tenshi), Direção: Akira Kurosawa, País: Japão, Ano: 1948.
Sinopse: Poderoso policial noir e drama humano dirigido pelo mestre Akira Kurosawa. Após briga com criminosos rivais, um gangster vai se tratar com médico alcoólatra. Passado logo após a Segunda Guerra Mundial, o filme revelou Kurosawa ao grande público e crítica internacional.
06- A Palavra (Ordet), Direção: Carl Theodor Dreyer, País: República Dominicana, Ano: 1955.
Sinopse: Uma família de fazendeiros, unida por fortes laços emocionais, passa por momentos de tensões provocados por pequenas desavenças. Sua rotina, após retorno de um dos filhos do patriarca, é modificada pela sua aparente loucura, que tudo indica, deriva de um estudo radical teosófico, que o fez acreditar ser Jesus Cristo. Nem todos aceitam que Johannes Borgen seja demente e fanático. E essa situação estará à prova, depois que um ente querido fica doente. Adaptação da peça teatral de Kaj Munk, pastor e dramaturgo, muito conhecido nos países escandinavos, que foi assassinado pelos nazistas. A Palavra é considerado uma obra-prima dentre os filmes que exploram o poder da fé, do amor e do sobrenatural. Isso se deve a maneira "realista" e "naturalista" que enfoca o tema. Ovacionado no Festival de Veneza, com o Leão de Ouro em 1955, é considerado um dos mais belos filmes em preto-em-branco já produzidos. É possível que este filme não influencie a nossa crença religiosa, mas, por meio dele, presenciemos um dos momentos mais marcantes da história da sétima arte.
07- O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet), Direção: Ingmar Bergman, País: Suécia, Ano: 1957.
Sinopse: Após dez anos, um cavaleiro (Max Von Sydow) retorna das Cruzadas e encontra o país devastado pela peste negra. Sua fé em Deus é sensivelmente abalada e enquanto reflete sobre o significado da vida, a Morte (Bengt Ekerot) surge à sua frente querendo levá-lo, pois chegou sua hora. Objetivando ganhar tempo, convida-a para um jogo de xadrez que decidirá se ele parte com a Morte ou não. Tudo depende da sua vitória no jogo e a Morte concorda com o desafio, já que não perde nunca.
08- Um Rosto na Multidão (A Face in the Crowd), Direção: Elia Kazan, País: EUA, Ano: 1957.
Sinopse: Descoberto por Marcia Jeffires, Larry Rhodes se transforma numa estrela da TV. O sucesso lhe dá mais poder, o que irá lhe corromper até destruir sua vida.
09- Os Incompreendidos (Les Quatre Cents Coups), Direção: François Truffaut, País: França, Ano: 1959.
Sinopse: Os Incompreendidos (Les quatre cents coups) é um filme francês de 1959, do gênero drama, dirigido por François Truffaut. O filme narra a história do jovem parisiense Antoine Doinel, um garoto de 14 anos que se rebela contra o autoritarismo na escola e o desprezo dos pais Gilberte e Julien Doinel. Rejeitado, Doinel passa a faltar as aulas para freqüentar cinemas ou brincar com os amigos, principalmente René. Com o passar do tempo, as censuras o direcionarão, vivenciará descobertas e cometerá delitos em busca de atenção.
10- A Fonte da Donzela (Jungfrukällan), Direção: Ingmar Bergman, País: Suécia, Ano: 1960.
Sinopse: Na Suécia, século XIV, a população oscilava entre o cristianismo e o paganismo. Herr Töre (Max von Sydow) e Märeta Töre (Birgitta Valberg) formam um casal que tem uma propriedade rural. Eles são cristãos fervorosos e incumbiram Karin Töre (Birgitta Pettersson), sua filha, uma adolescente de quinze anos, de levar velas para a igreja da região e acendê-las para a Virgem Maria.
11- Homem Mau Dorme Bem (Warui yatsu hodo yoku nemuru), Direção: Akira Kurosawa, País: Japão, Ano: 1960.
Sinopse: Uma história que remete ao "Hamlet" de Shakespeare.
No Japão do pós-guerra, um jovem tenta se utilizar de sua posição no coração de uma empresa corrupta para expor os homens responsáveis pela morte de seu pai. No dia de seu casamento, vários rumores e comentários circulam entre os presentes, que cinco anos antes, o pai de Nishi morreu após cair de uma janela do andar do edifício da empresa. Muitos duvidam de um suicídio. Nishi tentará investigar sobre um possível assassinato de seu pai.
Obra-prima do mestre, um roteiro elegante e a música de Sato, como sempre magnífica.
12- Viridiana, Direção: Luis Buñuel, País: Espanha, Ano: 1961.
Sinopse: Às vésperas de ser ordenada freira, Viridiana passa uns dias na mansão do seu pervertido tio, que, obcecado com sua beleza, tenta seduzi-la de todas as maneiras. Com a morte repentina do tio, desiste da vida religiosa, indo morar na mansão. Movida pelo espírito de caridade cristã, ela abriga e alimenta todos os mendigos da região. Porém, os miseráveis não se comportam do jeito que ela esperava.
13- O Pagador de Promessas, Direção: Anselmo Duarte, País: Brasil, Ano: 1962.
Sinopse: Zé do Burro (Leonardo Villar) e sua mulher Rosa (Glória Menezes) vivem em uma pequena propriedade a 42 quilômetros de Salvador. Um dia, o burro de estimação de Zé é atingido por um raio e ele acaba indo a um terreiro de candomblé, onde faz uma promessa a Santa Bárbara para salvar o animal. Com o restabelecimento do bicho, Zé põe-se a cumprir a promessa e doa metade de seu sítio, para depois começar uma caminhada rumo a Salvador, carregando nas costas uma imensa cruz de madeira. Mas a via crucis de Zé ainda se torna mais angustiante ao ver sua mulher se engraçar com o cafetão(Geraldo Del Rey) e ao encontrar a resistência ferrenha do padre Olavo (Dionísio Azevedo) a negar-lhe a entrada em sua igreja, pela razão de Zé haver feito sua promessa em um terreiro de macumba.
14- Viver a Vida (Vivre sa Vie), Direção: Jean-Luc Godard, País: França, Ano: 1962.
Sinopse: Nana (Anna Karina) é uma jovem que abandona o seu marido e o seu filho para iniciar sua carreira como atriz. Para financiar sua nova vida começa a trabalhar numa loja de discos, mas não ganha muito dinheiro. Como não consegue pagar o aluguel, Nana é expulsa de casa e decide virar prostituta. No primeiro dia que começa a trabalhar na rua, reencontra Yvette (Guylaine Schlumberger), uma velha amiga que lhe confessa que também se prostitui por necessidade. Yvette lhe apresentará a Raoul (Saddy Rebot), que se converterá em seu cafetão. A partir desse momento, Nana irá introduzindo-se progressivamente no mundo da prostituição.
15- Eu Sou Cuba (Soy Cuba), Direção: Mikhail Kalatozov, País: Cuba, Ano: 1964.
Sinopse: Quatro histórias independentes traçam um painel de Cuba entre a derrubada do regime de Batista e a revolução comunista. Em Havana, Maria envergonha-se quando o homem de quem gosta descobre como ela ganha a vida. Pedro, um camponês idoso, descobre que a terra que cultiva foi vendida a uma empresa. Um universitário vê seus amigos serem atacados pela polícia quando distribuíam panfletos a favor de Fidel Castro. Por fim, uma família de camponeses é ameaçada pelas forças de Batista.
16- Terra em Transe, direção: Glauber Rocha, País: Brasil, Ano: 1967.
Sinopse: O senador Porfírio Diaz (Paulo Autran) detesta seu povo e pretende tornar-se imperador de Eldorado, um país localizado na América do Sul. Porém existem diversos homens que querem este poder, que resolvem enfrentá-lo..
17- Morte por Enforcamento (Koshikei), Direção: Nagisa Ōshima, País: Japão, Ano: 1968.
Sinopse: Um Coreano é sentenciado à morte por enforcamento, mas sobrevive à execução. Nas duas horas seguintes, os executores tentam descobrir uma forma de lidar com a situação.
18- A Noite dos Desesperados (They Shoot Horses, Don't They?), Direção: Sydney Pollack, País: EUA, Ano: 1969.
Sinopse: Em 1929, em plena depressão americana, uma desumana maratona de dança premiava o casal que resistisse por mais tempo na pista, mesmo que isso representasse a morte para o vencedor. Baseado em romance de Horace McCoy.
19- Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita (Indagine su un Cittadino al di Sopra di Ogni Sospetto), Direção: Elio Petri, País: Itália, Ano: 1970. 
Sinopse: Inspetor do alto escalão da polícia italiana, com reputação ilibada, fama de incorruptível, mas reacionário, mata sua amante, Augusta Terzi. Testa se a polícia irá acusá-lo por isso e durante o filme, ele vai plantando pistas óbvias que o identificam como o assassino ao mesmo tempo em que vê os colegas ignorando-as, intencionalmente ou não.
20- Joguem Fora Seus Livros e Saiam às Ruas (Sho o suteyo machi e deyou), Direção: Shuji Terayama, País: Japão, Ano: 1971.
Sinopse: Alternando entre um estudo psicológico sobre a alienação e perda de direitos, e uma chamada urgente pela militância e atuação sociopolítica revolucionária da geração do final dos anos 60, a delirante montagem de Terayma de imagens fragmentadas, não sequênciais e desbalanceadas reflete a incerteza e o caos interior de um empobrecido - e apropriadamente anônimo - jovem, e de sua família igualmente disfuncional: o pai desempregado e voyeur, uma avó deliberadamente mentirosa, e uma irmã cuja ligação afetiva com seu coelho de pelúcia transformou-se numa obsessão bestial.
21- Os Demônios (The Devils), Direção: Ken Russell, País: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, Ano: 1971.
Sinopse: Ambientado durante o violento regime católico que tomava conta da França nos idos de 1631, parte da suposta possessão de uma madre-superiora (Vanessa Redgrave no papel de Sister Jeanne) cujas fantasias sexuais com o mais proeminente padre do vilarejo de Loudon (Urbain Grandier, interpretado por um surpreendente Oliver Reed) resulta num dos mais sangrentos episódios daquela era.
22- A classe operaria vai ao Paraiso (La Classe Operaia Va in Paradiso), Direção: Elio Petri, País: Itália, Ano: 1971.
Sinopse: Adorado por seus superiores por ser um trabalhador extremamente dedicado e odiado pelo mesmo motivo por seus colegas de trabalho, Lulu vive entregue aos sonhos de consumo da classe média, alienado em meio aos movimentos de protesto de sua classe, até que um acontecimento põe em xeque suas opiniões.
23- Laranja Mecânica (A Clockwork Orange), Direção: Stanley Kubrick, País: EUA, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, Ano: 1971.
Sinopse: Em uma desolada Inglaterra do futuro, a violência das gangues juvenis impera, provocando um clima de terror.
Alex (Malcolm McDowell) lidera uma das gangues e, após praticar vários crimes, é preso e submetido à reeducação pelo Estado, com base em uma técnica de reflexos condicionados.
Quando ele volta à sua vida em liberdade, é perseguido por aqueles que foram suas vítimas, Mr. Alexander (Patrick Magee) e sua esposa.
24- O Enigma de Kaspar Hauser (Jeder für Sich und Gott Gegen Alle), Direção: Werner Herzog, País: Alemanha, Ano: 1974.
Sinopse: Garoto é criado num porão, longe de qualquer contato com outro ser humano, até completar 18 anos. Sem saber falar, andar ou sua própria identidade, ele é levado para a cidade, onde é objeto de curiosidade e desprezo da população local.
25- O Homem que Queria Ser Rei (The Man Who Would Be King), Direção: John Huston, País: Reino Unido, EUA, Ano: 1975.
Sinopse: The Man Who Would Be King é baseado no livro homonimo de Rudyard Kipling. Foi adaptado e dirigido por John Huston e estrelado por Sean Connery como Daniel Dravot, Michael Caine como Peachey Carnehan, Saeed Jaffrey como Billy Fish, e Christopher Plummer como Kipling.
a história de Kipling fala de dois inglêses que serviam na India do século 19 e desertaram em busca de aventura, e acabam se tornando reis no Kafiristan.
26- Taxi Driver, Direção: Martin Scorsese País: EUA, Ano: 1976.
Sinopse: ravis Bickle (Robert DeNiro) é um jovem veterano do Vietnã, que volta para as ruas de Nova York trabalhando como motorista de táxi.
Conhecendo melhor todos os podres das vielas da cidade, seu caminho se cruza com o das jovens Betsy (Cybill Sheperd) e Iris (Jodie Foster), uma prostituta de apenas 12 anos, o que o faz se revoltar com tudo e com todos, explodindo sua raiva e violência que sempre demonstrou ter.
27- Stroszek, Direção: Werner Herzog, País: Alemanha, Ano: 1977.
Sinopse: Com uma vida marcada por passagens em internatos e reformatórios, o alcoólatra Stroszek acaba de sair da prisão e passa a viver com a prostituta Eva. Ao lado do senhor Clemens Scheitz, um vizinho amigo e idoso, eles decidem ir para os Estados Unidos, procurando uma nova vida.
28- O Homem de Mármore (Czlowiek Z Marmuru), Direção: Andrzej Wajda, País: Polônia, Ano: 1977.
Sinopse: Em 1976, uma jovem estudante de cinema resolve fazer um filme biográfico sobre um importante agitador do proletariado a partir de entrevistas com pessoas que o conheceram.
29- A Terceira Geração (Die Dritte Generation), Direção: Rainer Werner Fassbinder, País: Alemanha, Ano: 1979.
Sinopse: O filme narra a história de uma facção terrorista na Alemanha Ocidental, composto por pessoas de classe-médica, cujo credo é a filosofia de Arthur Schopenhauer, "o mundo como desejo e idéia". Ignorando o conteúdo daquilo que escolheram por mote, decidem seqüestrar o diretor de uma companhia multinacional. Apoiados pela secretária deste (interpretadas pela musa de Fassbinder, Hanna Schygulla) o grupo envolve-se em confusões as mais diversas que revelam não apenas o despreparo da organização, mas sobretudo o vazio ideológico de suas atitudes.
30- Pixote: A Lei do Mais Fraco, Direção: Héctor Babenco, País: Brasil, Ano: 1980.
Sinopse: Pixote (Fernando Ramos da Silva) foi abandonado por seus pais e rouba para viver nas ruas. Ele já esteve internado em reformatórios e isto só ajudou na sua "educação", pois conviveu com todo o tipo de criminoso e jovens delinqüentes que seguem o mesmo caminho. Ele sobrevive se tornando um pequeno traficante de drogas, cafetão e assassino, mesmo tendo apenas onze anos.
31- O Homem de Ferro (Czlowiek Z Zelaza), Direção: Andrzej Wajda, País: Polônia, Ano: 1981.
Sinopse: Um trabalhador comum que se torna um "homem de ferro" forjado pela experiência, um filho que faz as pazes com seu pai, um casal que se apaixona, um repórter buscando coragem para mudar sua vida e uma nação inteira passando por duras mudanças. Esses são os ingredientes deste filme de Andrzej Wajda, continuação de o "Homem de Mármore" (1977).
Na Varsóvia de 1980, o Partido Comunista envia Winkel (Marian Opanian), um repórter alcoólatra e frágil, até o distrito de Gdansk, para descobrir os podres que estariam por trás das greves nos portos. Um dos focos principais dessa investigação seria o jovem Maciej Tomczyk (Jerzy Radziwiłowicz), um articulado trabalhador cujo pai foi morto durante os protestos de Dezembro de 1970. Fingindo interesse e simpatia, Winkel entrevista diversas pessoas que conhecem Tomczyk, incluindo sua esposa, a presidiária Agnieszka (Krystyna Janda). Ao fazer isso, Winkel se depara com uma realidade diferente da que ele imaginava, o que muda completamente sua visão acerca do regime comunista e do próprio Tomczyk.
Um dos grandes diferenciais do filme está na forma como as entrevistas feitas por Winkel são apresentadas. Os flashbacks dos personagens são mostrados através de filmagens reais dos protestos de 1968 e 1970 e dos movimentos que deram origem aos sindicatos livres da Polônia, como o Solidarność. O "Homem de Ferro" ganhou a Palma de Ouro (1981), o Prêmio do Júri Ecumênico do Festival de Cannes (1981) e foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (1982, 54º edição).
32- Monty Python - O Sentido da Vida (The Meaning of Life), Direção: Terry Jones, País: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, Ano: 1983.
Sinopse: O humor corrosivo que caracteriza os filmes do grupo Monty Python está afiadíssimo nas histórias de O Sentido da Vida. Nesse filme, a trupe de comediantes britânicos ganha a tela para satirizar a medicina, a igreja, os militares, o sexo, e tudo o que é levado a sério demais pelos seres humanos normais. A ousadia lhes valeu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes. O Sentido da Vida mostra porque eles fazem sucesso há três décadas na TV e no cinema de todo o mundo.O Monty Python começou na BBC de Londres em 1969 e logo se espalhou pelo mundo com suas apresentações ao vivo, livros e filmes imperdíveis. Este foi o último filme da trupe que se separou após este trabalho. Em seus filmes, já satirizaram desde Rei Arthur, símbolo máximo da nobreza, justiça e coragem britânicas (Monty Phyton e o Santo Graal, 1975) à Jesus (A Vida de Brian, 1979), personagem que dispensa apresentações.
33- O Décalogo (Dekalog) - Minissérie em 10 episódios, Direção: Krzysztof Kieslowski, País: Polônia, Ano: 1989.
Sinopse: A série completa do cineasta polonês Krzysztof Kieslowski, com as adaptações para a televisão, reúne dez episódios inspirados nos mandamentos bíblicos do Velho Testamento. As parábolas contemporâneas traduzem os Dez Mandamentos ao mundo de hoje, em elencos diferentes unidos por duas características comuns: os personagens centrais vivem no mesmo opressivo conjunto habitacional em Varsóvia, e um mesmo e estranho personagem que está presente em todo o Decálogo.
34- A Outra História Americana (American History X), Direção: Tony Kaye, País: EUA, Ano: 1998.
Sinopse: Derek, busca vazão para suas agruras tornando-se líder de uma gangue de racistas. A violência o leva a um assassinato, e ele é preso pelo crime. Três anos mais tarde, ele sai da prisão, e tem que convencer seu irmão, que está prestes a assumir a liderança do grupo, a não trilhar o mesmo caminho.
35- A Língua das Mariposas (La Lengua de Las Mariposas), Direção: José Luis Cuerda, País: Espanha, Ano: 1999.
Sinopse: O mundo do pequeno Moncho estava se transformando: começando na escola, vivia em tempo de fazer amigos e descobrir novas coisas, até o início da Guerra Civil Espanhola, quando ele reconhecerá a dura realidade de seu país. Rebeldes fascistas abrem fogo contra o regime republicano e o povo se divide. O pai e o professor do menino são republicanos, mas os rebeldes ganham força, virando a vida do garoto de pernas para o ar.
36- Waking Life, Direção: Richard Linklater, País: EUA, Ano: 2001.
Sinopse: Após não conseguir acordar de um sonho, um jovem passa a encontrar pessoas da vida real em seu mundo imaginário, com quem têm longas conversas sobre os vários estados da consciência humana e discussões filosóficas e religiosas.
37- O Que Fazer em Caso de Incêndio? (Was Tun, Wenn's Brennt?), Direção: Gregor Schnitzler, País: Alemanha, Ano: 2001.
Sinopse: Na década de 80 seis amigos ocuparam um prédio na Alemanha, desafiando as autoridades locais. 15 anos depois eles mudaram bastante, com alguns nem lembrando seu passado de anarquia. Porém, quando uma bomba caseira por eles colocada em uma mansão abandonada em 1987 apenas agora explode, eles precisam se reunir novamente para evitar que a polícia local descubram que são eles os responsáveis pelo ato.
38- Tartarugas Podem Voar (Lakposhtha Parvaz Mikonand), Direção: Bahman Ghobadi, País: Irã, Ano: 2004.
Sinopse: Em uma vila de curdos no Iraque, na fronteira entre o Irã e a Turquia e pouco antes do ataque americano contra o país, os moradores locais buscam desesperadamente uma antena parabólica, na intenção de ter notícias via satélite.
39- A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen), Direção: Florian Henckel von Donnersmarck, País: Alemanha, Ano: 2006.
Sinopse: Georg Dreyman (Sebastian Koch) é o maior dramaturgo da Alemanha Oriental, sendo por muitos considerado o modelo perfeito de cidadão para o país, já que não contesta o governo nem seu regime político. Apesar disto o ministro Bruno Hempf (Thomas Thieme) acha por bem acompanhar seus passos, para descobrir se Dreyman tem algo a esconder. Ele passa esta tarefa para Anton Grubitz (Ulrich Tukur), que a princípio não vê nada de errado com Dreyman mas é alertado por Gerd Wiesler (Ulrich Mühe), seu subordinado, de que ele deveria ser vigiado. Grubitz passa a tarefa a Wiesler, que monta uma estrutura em que Dreyman e sua namorada, a atriz Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck), são vigiados 24 horas. Simultaneamente o ministro Hempf se interessa por Christa-Maria, passando a chantageá-la em troca de favores sexuais.
40- A Culpa é do Fidel! (La Faute à Fidel), Direção: Julie Gavras, País: França, Ano: 2006.
Sinopse: Anna de la Mesa (Nina Kervel-Bey) tem 9 anos, mora em Paris e leva uma vida regrada e tranqüila, dividida entre a escola católica e o entorno familiar. O ano é 1970 e a prisão e morte do seu tio espanhol, um comunista convicto, balança a família. Ao voltar de uma viagem ao Chile, logo após a eleição de Salvador Allende, os pais de Anna estão diferentes e a vida familiar muda por completo: engajamento político, mudança para um apartamento menor, trocas constantes de babás, visitas inesperadas de amigos estranhos e barbudos. Assustada com essa nova realidade, Anna resiste à sua maneira. Aos poucos, porém, realiza uma nova compreensão do mundo.
41- Ventos da Liberdade (The Wind That Shakes the Barley), Direção: Ken Loach, País: Irlanda, Ano: 2006.
Sinopse: Irlanda, 1920. Os trabalhadores do interior do país se organizam para enfrentar os esquadrões britânicos que chegam para sufocar o movimento pela independência. Cansado de testemunhar tanta brutalidade, Damien (Cillian Murphy), um jovem estudante de medicina, abandona tudo para juntar-se ao irmão Teddy (Padraic Delaney), que já aderiu à luta armada. Quando as táticas não-convencionais dos irlandeses começam a abalar a supremacia dos soldados britânicos, o governo se vê forçado a negociar e os dois lados discutem um acordo de paz. Nesse momento, na Irlanda, aqueles que estavam unidos pela independência se dividem entre os que são a favor e os que são contra o acordo, deixando os irmãos em lados opostos de uma nova guerra, agora interna.
42- The Man from Earth, Direção: Richard Schenkman, País: EUA, Ano: 2007.
Sinopse: “E se um homem do Alto Paleolítico tivesse vivido até os dias de hoje?“, pergunta John Oldman para um grupo de amigos, todos professores universitários. Obviamente, eles pensam que trata-se de um exercício de imaginação, ou o início do que seria um apanhado de idéias para escrever um romance de ficção científica. A questão é que quando John Oldman faz esta pergunta para os amigos durante uma festa de despedida, ele na realidade queria começar a explicar as razões pelas quais tinha que deixar a cidade depois de 10 anos vivendo lá. O motivo principal? John Oldman é este homem que nasceu no Alto Paleolítico e continua vivo, após 14.000 anos.
43- Lemon Tree (Etz Limon), Direção: Eran Riklis, País: Israel, Ano: 2008.
Sinopse: Salma (Hiam Abbass), uma viúva Palestina, vê sua plantação ser ameaçada quando seu novo vizinho, o Ministro de Defesa de Israel (Doron Tavory), se muda para a casa ao lado. A Força de Segurança Israelense logo declara que os limoeiros de Salma colocam em risco a segurança do ministro e por isso precisam ser derrubados. Salma leva o caso à Suprema Corte de Israel para tentar salvar a plantação.
44- Mary e Max - Uma Amizade Diferente (Mary and Max), Direção: Adam Elliot, País: Austrália, Ano: 2009.
Sinopse: Uma história de amizade entre duas pessoas muito diferentes: Mary Dinkle, uma menina gordinha e solitária, de oito anos, que vive nos subúrbios de Melbourne, e Max Horovitz, um homem de 44 anos, obeso e judeu que vive com Síndrome de Asperger no caos de Nova York. Alcançando 20 anos e 2 continentes, a amizade de Mary e Max sobrevive muito além dos altos e baixos da vida. O filme é uma viagem que explora a amizade, o autismo, o alcoolismo, de onde vêm os bebês, a obesidade, a cleptomania, a diferença sexual, a confiança, diferenças religiosas e muito mais.
45- Cortina de Fumaça, Direção: Rodrigo Mac Niven, País: Brasil, Ano: 2011.
Sinopse: Um documentário ousado sobre um tema polêmico que interessa a todos e que precisa ser debatido de forma honesta, a política de drogas no Brasil e no mundo, baseada na proibição de determinadas práticas relacionadas a algumas substâncias, precisa ser repensada porque muitas de suas conseqüências diretas, como a violência e a corrupção por exemplo, atingiram níveis inaceitáveis.
O filme fala sobre a relação entre o homem e as drogas psicoativas, revela a discordância entre a atual classificação das drogas e o conhecimento científico sobre essas substâncias, discute a situação particular da Cannabis (maconha), seu uso industrial e medicinal, levanta fatos relacionados ao surgimento dos projetos proibicionista e aponta para o colapso social que algumas cidades, como o Rio de Janeiro, vivem por causa da violência e da corrupção.
46- A Caça (Jagten), Direção: Thomas Vinterberg, País: Dinamarca, Ano: 2012.
Sinopse: Lucas acaba de dar entrada em seu divórcio. Ele tem um novo emprego na creche local, uma nova namorada e está ansioso pela visita de natal de seu filho, Marcus. Mas o espírito de natal desaparece quando Klara, um aluno de cinco anos de idade, faz uma acusação de agressão contra Lucas, o que desencadeia o ódio de toda a comunidade em que ele vive.
47- No, Direção: Pablo Larraín, País: Chile, Ano: 2012.
Sinopse: História do plebiscito que, em 1988, pôs fim a uma ditadura de 15 anos imposta por Augusto Pinochet. Baseado na peça do escritor chileno Antonio Skármeta, El plebiscito, No conta a história de René Saavedra (Gael Garcia Bernal), um exilado que volta ao chile e vai trabalhar como publicitário a serviço da campanha "Não", que tem como objetivo influenciar o eleitorado a votar contra a permanência de Augusto Pinochet no poder durante um referendo, feito sob pressão internacional, pelo próprio ditador. Com poucos recursos e sob constante vigilância por homens de Pinochet, ele concebeu um ousado plano para ganhar o referendo.
48- 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave), Direção: Steve McQueen, País: EUA, Ano: 2013.
Sinopse: Adaptação da autobiografia de Solomon Northup.
Northup escreveu o livro em 1853, narrando como foi procurado em Nova York por dois homens que lhe ofereciam um emprego em Washington. Letrado e casado, Northup foi sequestrado e então escravizado pelos 12 anos do título, sob diversos donos. Ele reconquistou sua liberdade quando um carpinteiro do Canadá, contrário à escravidão, conseguiu enviar cartas do escravo à esposa de Northup - iniciando um processo de tribunal que o libertou. A escravidão terminou oficialmente nos EUA em 1865.
O livro conta em detalhes desde os pormenores do mercado de escravos em Washington ao tipo de comida que se servia nas senzalas.
49- O Ato de Matar (The Act of Killing), Direção: Joshua Oppenheimer, País: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, Ano: 2013. 
Sinopse: Documentário traz entrevista com o líder paramilitar Anwar Congo e seus comparsas, incluindo o dono de um jornal, todos assassinos confessos vivendo livremente na Indonésia, orgulhosos de todos os seus crimes. Os diretores convencem Congo e sua gangue, que chegaram ao poder após o golpe militar de 1965, a encenar suas táticas de tortura e matança, como se fosse um filme de verdade, incluindo figurinos e efeitos especiais.
50- Ela (Her), Direção: Spike Jonze, País: EUA, Ano: 2013.
Sinopse: Em um futuro não muito distante, o escritor solitário Theodore (Phoenix) compra um novo sistema operacional desenhado para atender todas as suas necessidades. Para surpresa de Theodore, começa a se desenvolver uma relação romântica entre ele e o sistema operacional. Essa história de amor não convencional mistura ficção científica e romance em um doce conto que explora a natureza do amor e as formas como a tecnologia nos isola e nos conecta.



Fonte: Obvious


"ESCRITORES DA LIBERDADE " OU LIBERDADE DOS ESCRITORES?

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Por Nildo Viana

O filme Escritores da Liberdade (Richard L, EUA, 2007) é, a princípio, apenas mais um filme norte-americano sobre educação, no qual o mestre dedica sua vida e consegue reverter o quadro caótico da situação escolar existente. Claro que existem filmes diferentes, mas quase todos filmes norte-americanos que abordam a questão escolar no caso das classes desprivilegiadas, desde Sementes de Violência(Richard Brooks, EUA, 1955), passando por Ao Mestre com Carinho(James Clavell, EUA, 1965), entre outros, até chegar ao mais recentes, possuem elementos narrativos semelhantes e repetitivo: O quadro social pré-estabelecido (uma situação escolar caótica, estudantes pobres e marginalizados, conflitos raciais, étnicos e outros, administração escolar pouco envolvida com mudanças e alteração da situação) é rompido com a chegada de um professor abnegado, cujo sentido da vida é a luta pela alteração deste quadro, mesmo custando conflitos familiares, divórcio, etc., e através de uma prática diferenciada junto aos alunos e sem apoio da instituição, consegue resultados favoráveis e realizar a mudança, terminado, como não poderia deixar de ser, em um hapy end holiwoodiano.

O messianismo pedagógico é o ponto forte e como outros filmes semelhantes, este também é baseado em "fatos reais". No entanto, a arte imita a vida de forma muito imperfeita, sendo mais manifestação de concepções, valores, sentimentos, etc., do que retrato fiel da realidade. Este é o caso de Escritores da Liberdade. A professora consegue reverter o quadro através de um forte sacrifício pessoal (teve que trabalhar em outros dois empregos para ter dinheiro para comprar livros e cadernos para os alunos, divórcio, etc.) e isso só é possível se for o sentido da vida para tal professor. Obviamente que a dedicação da professora é louvável, bem como sua ação e os resultados individuais conseguidos. Porém, isso não serve de modelo e de inspiração, não só por causa dos valores, concepções, sentimentos por detrás da prática da referida professora (e do filme), mas também porque os resultados atingem apenas determinadas pessoas, pois para se concretizar em grande escala não só seria necessário outras professoras abnegadas e que fazem da prática educacional o sentido da sua vida, como também ter apoio institucional, políticas educacionais estatais, etc. Nem todos dispostos ao mesmo sacrifício (por exemplo, trabalhar em dois empregos para comprar materiais para alunos, pois é necessário, não só estar disposto a isto como também conseguir tal emprego e não se pode abstrair que a referida professora no filme é oriunda das classes privilegiadas - possuindo acesso a determinado "capital cultural", como diria Bourdieu, além do vil metal - e tem apoio do pai, um juiz, que pode, por exemplo, pagar jantar para os alunos devido seus altos rendimentos). O caso é ainda mais difícil em países como o Brasil, onde o salário do professor é insuficiente para ele sobreviver e além disso não possui recursos, condições e incentivo para formação/qualificação, etc.

Os resultados alcançados, na situação extraordinária apresentada pelo filme é o benefício de apenas uma turma, na qual alunos carentes e que mal terminariam o curso (equivalente ao ensino médio no Brasil) e chegam até a universidade. As outras turmas, as outras escolas, ou seja, milhões de outros, não terão a mesma oportunidade. Logo, não é receita aplicável ao sistema de ensino em sua totalidade. O problema não está na experiência em si e sim em tomá-lo como modelo, o que seria irrealista. Além disso, seus resultados são modestos, atingindo um número limitado de alunos, e que tem por detrás de si determinados ideologemas e valores, entre os quais o messianismo pedagógico, uma concepção individualista de intervenção (a da professora) e da solução de problemas (dos alunos), uma politização limitada e que não ultrapassa o nível da consciência burguesa e não aponta para a transformação social.

Assim, os "escritores da liberdade", escrevem sem amarras, mas também sem uma liberdade autêntica. Estão "livres de" mas não "livres para" (Bloch, Fromm). São indivíduos que são formados socialmente nas classes desprivilegiadas, vivendo em condições de vida precárias e perpassada por diversos conflitos (raciais, étnicos, de classe, etc.), um mundo de violência e criminalidade, e a liberdade que lhes foi oferecida foi a de escrever sobre seu cotidiano (e não entendê-lo, explicá-lo, ver a possiblidade de transformá-lo não apenas em casos individuais ou de um grupo, como se fosse uma "família", sempre excludente dos demais) e cujo conteúdo, no fundo, era a cultura burguesa, que pode ser útil para mostrar o perigo da intolerância e preconceito, mas incapaz de mostrar suas determinações, sua razão de ser, sua base social, que, mesmo um pequeno grupo por via meramente educacional se transforma, se mantém por outros milhões não terem a mesma oportunidade. Museu, restaurante, ascensão social, uma bela viagem do mundo lumpemproletário ao mundo das classes auxiliares da burguesia. Essa é a viagem do filme, daí seus limites, que são os limites intransponíveis da consciência burguesa. Mais uma vez: "ao mestre com carinho". E mais uma vez a afirmação de Marx: "quem educa o educador?" e quem precisa de mestre é porque ainda não conquistou a liberdade. Logo, os escritores da liberdade precisariam de liberdade para escrever e isso não se faz numa sala de aula ou com filantropia e sim na luta, dentro e fora da sala, com ou sem mestre, mas quando atinge um determinado grau, sem mestre e sem carinho pelo mestre, mas sim compartilhamento da luta por seres humanos iguais, sem sentimentos constituídos por relações hierárquicas e por sentimentos hierarquizados, mas sim sentimentos recíprocos por relações humanizadas, companheiros de luta.

MALÉVOLA: EXPRESSÕES ARQUETÍPICAS DO FEMININO

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Hellen Pinho Mourão


Logo de início de Malévola são apresentados dois reinos em guerra: Moors, onde vivem criaturas míticas, incluindo a fada que dá nome ao filme, vivida por Angelina Jolie, e o reino dos humanos. Podemos pensar que esses dois lugares representem uma divisão entre o inconsciente (repleto de arquétipos) e a consciência. O filme retrata justamente a busca da consciência coletiva pelo equilíbrio entre os opostos feminino e masculino.

Na terra dos humanos, aliás, não há uma figura feminina expressiva, não vemos rainha, e o rei apenas cita a sua filha, o que demonstra um desequilíbrio entre o feminino e o masculino. Sem esse elemento consciente não há Eros nem relacionamento com o irracional. E onde falta o amor a disputa pelo poder se instala.

O rei incorpora simbolicamente o princípio divino, do qual depende o bem-estar físico e psíquico da nação. Ele pode ser considerado um símbolo do self manifesto na consciência coletiva. Esse símbolo tem necessidade de renovação constante, compreensão e contato, pois, de outro modo, corre o risco de se tornar uma fórmula morta, um sistema e uma doutrina esvaziados de significado, voltada exclusivamente para o exterior.

Por esse motivo é tão necessário escolher um novo rei para Moors. E entre os pretendentes ao trono está Stephan, jovem que foi o amor de Malévola na infância. Entretanto, ele a trai, movido pelo desejo de poder e pela ambição. E assim o elemento feminino ainda não pode ser resgatado – a unilateralidade permanece.

Como protetora de Moors, Malévola pode ser considerada a guardiã do reino do inconsciente, uma representação da anima de Stephan. Segundo o criador da psicologia analítica, Carl Jung, a anima é responsável por fazer a ligação entre o consciente e o inconsciente do homem. Ela é seu guia, seu psicopompo, uma figura arquetípica que contém todas as experiências masculinas e femininas ao longo de toda a história da humanidade – e, por meio dela, o homem pode compreender a natureza da mulher.

Quando Stephan trai Malévola, ela perde a função de guia, de ponte, e fica renegada ao inconsciente, tornando-se não diferenciada. No inconsciente, a fada ganha mais força e se volta contra a consciência unilateral, revelando aspectos primitivos de forma vingativa e amarga. A anima, que representa o aspecto da vida, volta-se então contra a atitude consciente, como um aspecto relacionado à morte. A consciência entra no estado alquímico, o nigredo, a noite escura da alma.

Nessa parte do filme surge uma mudança, e a ênfase está nos personagens Stephan, que se tornou rei, sua filha Aurora, as três fadas, o corvo Diaval e Malévola. Aparece, portanto, uma nova configuração na consciência. Antes, havia um desequilíbrio em que o masculino predominava. Agora, o feminino é predominante e mais forte.

Isso demonstra que o psiquismo sempre busca o equilíbrio compensatório por meio da enantiodromia, uma “lei” psicológica segundo a qual mais cedo ou mais tarde tudo invariavelmente se reverte em seu oposto, o que possibilita flexibilidade e aprendizado.

Nesse ponto do filme vemos uma consciência na fase matriarcal, compensando o momento patriarcal anterior, quando o feminino ferido busca vingança – e mais que isso, seu lugar de direito. Malévola, então, traída e amargurada, deixa de ser uma fada e se torna uma bruxa, a encarnação da Mãe Terrível, que se liga à morte, ruína, aridez, penúria e esterilidade.

Nos contos de fadas, a bruxa, representante dessa mãe cruel, aparece sempre acompanhada por um animal, numa referência ao seu animus, também terrível, que sempre a ajuda. No caso do filme, Malévola é auxiliada por Diaval, um corvo que se transforma em homem.

Essa ave costuma ser associada à bruxaria, magia, azar e mau presságio, mas também à fertilidade, esperança e sabedoria. Porém, o fato de o fiel companheiro se transformar ocasionalmente em homem demonstra uma semente de evolução em Malévola. Seu animus não é totalmente primitivo e, por vezes, lhe serve de consciência.
Como a Mãe Terrível arquetípica, Malévola então se volta contra a criação do rei, Aurora, e exige que lhe seja oferecido um tributo para aplacar sua ira.

Aqui vemos um tema mitológico recorrente: o do sacrifício de uma virgem. Em termos psicológicos, isso significa que para alcançar uma mudança de atitude e um avanço na consciência, antigos padrões devem morrer. Ou seja, para se chegar ao equilíbrio entre masculino e feminino, alguém deve ser submetido aos domínios da bruxa.

Fonte: Mente & Cerebro
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